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Posted November 30, 2012 by Carol Pacobahyba in Artigos
 
 

Dicas de turismo no Peru

Vista da costa de Lima

Se você ouviu o episódio 07 – parte 1 do podcast que falamos sobre turismo no Peru, eis aqui mais algumas dicas, imagens e detalhes sobre a viagem. Se você ainda não escutou o cast, clique aqui. Agora, se já ouviu a parte 1, mas ainda não ouviu a continuação da viagem no episódio 07 – parte 2 clique aqui.

A impressão que tive de Lima é de uma cidade grande e tranquila. Rafael e eu optamos por ficar hospedados no distrito de Miraflores, que fica na costa Norte de Lima, onde tínhamos uma reserva no Flying Dog – um hostel super organizado e localizado bem em frente à charmosa Praça das Armas de Miraflores – onde pagamos $ 90 soles por noite. Mal chegamos e, claro, fomos fazer um passeio pela redondeza.

Aos domingos, a via principal que cerca a Praça das Armas é fechada para carros e livre para atividades como ciclismo, skate, patinação e passeio em família. A prefeitura disponibiliza alguns jogos de xadrez, amarelinhas e até atrações para dar aulas de ginástica e dança na praça. Apesar do clima frio, a praça costuma ficar bem movimentada.

Atividade recreativa na praça

Lima é uma cidade fácil de se locomover. Há muitos ônibus na cidade que levam a todos os lugares e também há muitos taxis. A corrida de táxi, aliás, é barata. O valor é combinado antes, não há taxímetro. E não se pode esquecer de pechinchar! Acabamos andando muito a pé e pegando taxis para grandes distâncias.

No distrito de Miraflores encontramos bons restaurantes, grandes lojas e todos os serviços que qualquer turista precisa. Comemos deliciosos ceviches – prato típico peruano feito à base de peixe e frutos do mar marinados no limão – no restaurante Café Café, no Café Paris, entre outros. É fácil achar casas de câmbio, pontos de taxi, shopping e agências de turismo. Na própria praça há um guichê vendendo passeios como o City Tour e a visita ao Santuário de Pachacamac – isso sem falar na feirinha de artesanatos locais que é montada todas as noites.

Praça de Miraflores

Nossa primeira refeição peruana foi no La Lucha, uma sanduicheria bem tradicional. Comemos um delicioso sanduíche de pavão com frozen de frutas. O cardápio oferece sanduíches com carnes de hambúrguer, galinha, porco, chorizo, entre outros. Um sanduíche – bem servido – com frozen custa mais ou menos $ 15 soles. A La Lucha é sempre movimentada (quase 24h!) – o pão é feito quase a toda hora, ou seja sempre fresquinho e crocante. Hummm (saudade gastronômica mode on!)!

La Lucha (olha só os pães…)
Sanduíche de pavão

No mesmo dia compramos os tickets para o City Tour e para a visita a Pachacamac. O tour é bem legal para quem tem pouco tempo na cidade e para os que querem ter uma vista geral do que há para se conhecer na região.

O passeio de City Tour em Lima custa $ 60 soles por pessoa, o de Miraflores custa $ 10. No ônibus de Lima passamos pelos principais pontos turísticos da cidade. No de Miraflores conhecemos o circuito das praias, o shopping La Comar (que é lindo e tem vista para o mar); o Parque del Faro (onde está o Farol de Lima) e o parque dos Enamorados, onde há o Monumento al Amor, entre outros pontos turísticos.

Monumento al Amor
Farol de Lima

O Santuário fica a cerca de 30 quilômetros de Lima, para chegar até lá atravessamos a cidade e passamos pelo paupérrimo bairro de Chorrillos. Pachacamac é um importante sítio arqueológico peruano. A visita em Pachacamac dura cerca de quatro horas e custa $ 70 soles por pessoa, que inclui o guia turístico e o ingresso ao museu do parque.

Fortaleza de Pachacamac

Além de ser um local histórico e com um visual lindo para o Pacifico, o Santuário conta um pouco da história dos povos antigos da região. Para se ter ideia da importância do sítio arqueológico, Pachacamac data de 200 a.c e foi um dos principais pontos de adoração aos deuses do período pré-inca. Lá vimos o Templo do Sol, Palácio Taurichumbi, Acllahuasi (Mamaconas), além de praças, templos e um museu com uma interessante coleção de objetos encontrados no local e que foram identificados como sendo do período pré-inca.

Entrada do Templo do Sol

Em Lima ainda vale a pena conhecer o circuito das águas mágicas, que acontece quase todos os dias no Parque de La Reserva e custa módicos $ 4 soles por pessoa. Para os mais corajosos (e menos sovinas), há a opção de fazer paragliding por $ 180 soles por pessoa próximo ao Parque Antonio Raimondi, em Miraflores.

Nuevo Sol, moeda peruana

Depois de cinco dias em Lima, partimos em direção a Ica, uma grata surpresa nesta viagem. Uns dias antes, fomos até a estação de ônibus de Lima comprar passagens para Ica. Entre dezenas de empresas, compramos nossos tickets (para Ica, Arequipa e Cusco) na Cruz del Sur. É uma das que oferece o melhor serviço. Dependendo do assento e do horário da viagem, a ida a Ica poderia custar de $ 11 a $ 31 soles. Como optamos por viajar à noite, pagamos $ 31 soles ir em poltrona buscama (que reclina mais e é mais larga). Gasto que valeu muito à pena porque tornou a viagem mais confortável.

Refeição oferecida no ônibus

Chegamos a Ica de madrugada e não tínhamos reserva de hotel. A oferta é grande na baixa estação e, como queríamos nos hospedar na Laguna de Huacachina, preferimos ver os preços ao chegar lá. Como ainda estava escuro, só pudemos ver a sombra das dunas de areia que cruzamos antes de entrar no pequeno povoado de Huacachina.

Facilmente encontramos um hotel bem em frente à laguna, com piscina, wi-fi, chuveiro elétrico e café da manhã (tudo isso por $ 80 soles). Um hotel buenazo (como diriam os peruanos mais descolados)! Aos primeiros raios de sol da manhã seguinte, me deparei com esta vista incrível da minha janela. Um belo oásis daqueles de filme!

Vista da janela do quarto

O cerco das dunas gigantes de areia contornando a tal laguna é uma das paisagens mais delumbrantes do Peru. O Oásis de Huachachina é mesmo esplêndido! Tem clima mais quente durante o dia e faz um friozinho bom durante a noite.

Vista da laguna

Já no primeiro dia fomos a Paracas, conhecer as Islas Ballestas e a Reserva Nacional de Paracas. Quem curte natureza e ecoturismo não pode deixar de ir ao arquipélago. No porto, pegamos o barco em direção às Islas Ballestas, um dos maiores santuários de vida marinha do mundo. Paramos em alguns pontos de observação da fauna local e do misterioso desenho do Candelabro, onde fizemos nossa primeira pausa. O Candelabro é um geoglifo de 120 metros feito no solo de areia e pedra em uma das ilhotas. Há séculos esta inscrição resiste às intempéries, o que a torna tão intrigante quanto as linhas de Nazca.

Candelabro

O passeio ainda contorna várias ilhas repletas de aves migratórias, pelicanos, flamingos, pinguins, lobos marinhos e, com sorte, golfinhos. É preciso ficar atento aos animais e resistir ao balanço do barco (sugiro tomar um remedinho para enjoo umas horas antes do passeio). Só não deu para aproveitar mais porque o dia estava bastante frio (uns 10 graus ou menos) nublado e com muito vento.

Área de estudo de aves

Depois de contornar as ilhas, ver os bichos e apreciar belas paisagens, retornamos ao porto de Paracas, onde pegamos o transfer para a Reserva. Por fazer parte do Deserto do Atacama, a área – de 335 mil hectares – é protegida pelo governo peruano. O guia conta que sete mil anos atrás o deserto era, na verdade, parte do mar e que subiu muitos metros acima do nível do mar depois de movimentos nas placas tectônicas.

Conchas e sal no deserto

Durante o passeio paramos no mirador da Catedral, uma grande – e bela – formação rochosa esculpida pela ação do mar e do vento. Parte da estrutura desabou, em 2007, depois de um forte terremo. Hoje restam apenas alguns pedaços da Catedral. Ainda assim, a paisagem é impressionante.

Mirador da Catedral

Percorremos quase toda a Reserva e fizemos várias paradas ao longo do caminho. Cada ponto de parada, uma nova paisagem se formava. Uma das mais bonitas foi a Playa Roja – coberta com pequeninos grãos de cascalho vermelho que dão o nome e a cor ao lugar.

Playa Roja

Antes de voltar a Ica, encerramos o passeio nas Lagunillas, um trecho da Reserva destinado à vila de pescadores muito antiga da região. Os pescadores também são donos de pequenos restaurantes à beira-mar, onde almoçamos um excelente filé de pescado com uma vista incrível.

Lagunillas

Dedicamos a manhã do dia seguinte para conhecer Ica e as vinícolas de pisco da região. Ica é uma cidade pequena, que sofre constantemente com terremotos. A catedral da cidade já  foi reconstruída três vezes, mas desde o último terremoto, em 2007, foi interditada. Só é possível ser vista do lado de fora do portão.

Catedral de Ica

Ica é famosa por suas rotas de vinícolas de pisco – uma espécie de uva andina da qual é feita a bebida. O sabor do pisco mais se assemelha à cachaça do que ao vinho, com ele é feito o tradicional drink peruano Pisco Sour – o equivalente à caipirinha brasileira. A bebida é uma batida de pisco com gelo, limão, açúcar e clara de ovo, sendo servida em copinhos 3/4 – e é uma delícia! Por $10 soles visitamos a vinícola Bodegas Vista Alegre. Vimos desde o cultivo até a prova de inúmeros sabores de pisco. É um ótimo lugar para comprar garrafas de pisco com preços mais acessíveis. Os preços variam de $ 15 a $ 200 soles, dependendo do tipo e da reserva escolhida.

Entrada da vinícola
Barris de pisco

À tarde fomos fazer um passeio de buggy nas dunas de Huacachina e ao sandboard – que custaram $ 30 soles. Um passeio muito divertido e radical. O motorista escolhia a duna mais alta e fazia manobras alucinantes em um sobe e desce de dunas que mais parecia uma montanha russa! A cada topo eu pensava que iríamos despencar duna abaixo. Haja coração para tanta adrenalina!

Deserto de Huacachina

Depois de muitas subidas e descidas, paramos no topo de uma duna para praticar o sandboard. O motorista tira as pranchas do buggy, passa parafina e distribui uma para cada ocupante do veículo. Quem sabe esquiar ou surfar deve ter mais habilidade com o sandboard. Eu preferí descer de ‘esqui-bunda’, mas o motorista me aconselhou ir de ‘superman’… E lá fui eu!

Sandboard

Depois de descer várias dunas, encerramos o dia maravilhoso contemplando o pôr do sol por trás das dunas do deserto. Uma paisagem divina, inesquecível.

Pôr do sol no deserto de Huacachina

Ficamos mais dois dias em Ica curtindo o oásis e o deserto. Fizemos sandboard todos os dias. Não é necessário fazer o passeio de buggy para fazer sandboad. Como a laguna é cercada de dunas, basta alugar uma prancha na beira da lagoa e subir uma pequena duna ali mesmo no entorno. O aluguel custa $ 10 soles a hora, mas na pechincha aluguei por $ 5. Até pensei: não vamos conseguir fazer uma hora de sandboard, é muito cansativo! Engano meu. Passamos muito mais tempo e nos divertimos pra caramba! Na volta, paguei mais $ 5 soles ao moço por termos ficado bem mais de 1h com a prancha alugada.

De Ica partimos em direção à Arequipa, mas isso é assunto para outro post! :)

Palavras-chave: Atacama, Ballestas, Buggy, Candelabro, Deserto, Huacachina, Humor, Lima, Miraflores, Oásis, Pachacamac, Paracas, Peru, Podcast, Reserva, Sandboard, Turismo, Viagem, Vinícola, Dicas


Carol Pacobahyba

 
Carol é jornalista. Natural de Fortaleza, reside no Recife. Já morou em cidades paraibanas, em Brasília, em Montreal e em Toronto, no Canadá. Além de conhecer diversos lugares do Brasil, já visitou países como Peru, Bolívia e Estados Unidos. Ou seja, tornou-se cidadã do mundo antes mesmo de conquistar a maioridade. Estreou seu primeiro programa de rádio aos 15 anos e quando surgiu o projeto do Terra Estrangeira não hesitou em unir duas paixões: comunicação e turismo. Carol não dispensa uma oportunidade de viagem e espera dar uma volta ao mundo trazendo consigo um pedacinho de cada lugar em fotografias e ímãs de geladeira. Por ter o coração cigano, também não exclui a possibilidade de voltar a morar em terras estrangeiras. É ultra-mega-power conectada e, claro, está sempre presente nas redes sociais, inclusive nos perfis do Terra Estrangeira. Como cearense nata, traz o bom humor na ponta da língua, mas não herdou a cabeça-chata graças à genética materna carioca.