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Posted June 14, 2012 by Fabiana Ferlin in Imigração
 
 

05 coisas que eu não sabia antes de me mudar para o Canadá

5_coisas_1Por: Fabiana Ferlin
Por mais que eu tenha pesquisado sobre o Canadá antes de vir para cá, devorado blogs e participado de infindáveis listas de discussão sobre imigração, descobri que é impossível conhecer de verdade um país antes de se morar nele por um tempo. Como sempre me perguntam sobre as diferenças entre Canadá e Brasil, resolvi enumerar alguns dos costumes e curiosidades que eu realmente não conhecia antes de chegar aqui. A lista ficou grande! Então, vamos aos cinco primeiros:

1 – Carregue sempre um par de meias

Que as pessoas têm que tirar o sapato para entrar na casa de um canadense, isso todo mundo já sabe. Aliás, um hábito super saudável e que foi adotado em nossa humilde residência assim que chegamos aqui. Agora o que eu não fazia a mínima ideia é de que não basta você tirar os sapatos. Precisa, obrigatoriamente, ficar de meias. Pé descalço na casa dos outros não é considerado de bom tom.

E eu, que adoro uma sandália, paguei vários micos ao visitar amigos canadenses no nosso primeiro verão por aqui. E pior era o Dimitri, que sempre saía de meia e tênis, mas acabava tirando a meia quando chegava na casa de alguém. Talvez tenha sido por isso que uma vez, ao entrarmos numa festa de vizinhos, uma senhorinha, a matriarca da família, logo percebeu nossos dedões de fora e veio oferecer dois pares de chinelinhos coloridos para ficarmos “mais à vontade”.

2 – Sério? Posso virar no farol vermelho?

Perdi as contas de quantas vezes xinguei esse bando de motoristas canadenses barbeiros que passavam no farol vermelho para virar à direita. Até que um dia descobri que eles não estavam fazendo nada de errado, pois isso é totalmente permitido pelas leis de trânsito daqui.

Se não houver nenhuma placa proibindo a conversão, o motorista pode entrar à direita mesmo com o farol fechado, desde que não esteja vindo nenhum carro nem pedestre atravessando. Demorou, mas entendi. E agora, mesmo com a carteira de motorista em mãos, não é difícil eu esquecer dessa regrinha e ouvir um chato buzinando atrás de mim.

3 – Linguiça com batata no café da manhã

Esse costume eu descobri rápido, logo no primeiro dia no hotel, quando chegamos em Vancouver. O café da manhã típico canadense não tem a clássica combinação americana de ovos fritos com bacon, que habitava meu imaginário culinário.

Aqui o que se come no café são as hash browns ou hashed potatoes, que são uma espécie de bolinho frito de batata em formato achatado, e a tal da sausage, que mais parece uma linguiça daquelas bem fininhas.

Eles até comem ovos, mas na forma de mexidão ou omelete, e também torradas. E é claro, não poderia me esquecer das panquecas, cobertas com manteiga ou maple syrup, a única iguaria legitimamente canadense.

4 – Dia de Ação de Graças no Canadá chega antes

Não que isso faça muita diferença, mas achei interessante saber o porque de o Dia de Ação de Graças, ou Thanksgiving, ser comemorado mais cedo no Canadá. Aqui a celebração para agradecer pelas bençãos e pela colheita abundante acontece na segunda segunda-feira de outubro, enquanto nos Estados Unidos o feriado é na quarta quinta-feira de novembro.

A explicação tem origem no próprio clima canandese. Por ser um país mais frio, o Canadá tem sua colheita antes do país vizinho. E para mim também foi novidade ver a entrada das casas decoradas com girassóis e simpáticos espantalhos nessa época do ano.

5 – De pijama na lavanderia

Bom, aí já não sei se esse é um costume canadense mesmo ou se essa esquisitice acontece só aqui onde moramos. Como meu prédio tem lavanderia coletiva, sempre encontro meus vizinhos desfilando em trajes, digamos, inusitados por lá. E eu não estou falando daquela roupa velha e desbotada que a gente usa para fazer faxina ou ficar em casa de bobeira. O pessoal sai de pijama mesmo.

Já vi de tudo: roupão com estampa de alce, pantufas de dinossauro, pijamas listrados de flanela. É como se estivessem na área de serviço da própria casa e não em uma área comum do condomínio. Eu até queria ter esse desprendimento todo do canadense. Mas são apenas três anos e meio aqui. Um dia eu chego lá.


Fabiana Ferlin

 
Formada em jornalismo mas também perambulando por outras áreas da Comunicação, Fabiana Ferlin trocou há alguns anos a chuva de São Paulo pela chuva de Vancouver. Com o firme propósito de um dia conhecer os quatro cantos desse mundo redondo, a cada entrevista para o Terra Estrangeira Fabiana acrescenta novos lugares à sua já imensa lista de destinos imperdíveis. Aluna aplicada em história e geografia na época do colégio, sonha em visitar todos aqueles lugares longínquos e misteriosos que ilustravam as páginas da National Geographic e da enciclopédia Conhecer (entregou a idade agora, hein?). No Terra Estrangeira, Fabiana tem a difícil tarefa de tentar manter o foco do programa quando Dimitri e Julio começam a divagar sobre assuntos nerd que só eles entendem.