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Posted July 28, 2013 by Carol Pacobahyba in Artigos
 
 

Intercâmbio: passo a passo para evitar frustrações

intercambio

Por Carol Pacobahyba

Fazer um intercâmbio é, geralmente, uma grande experiência de vida. É uma vivência fundamental para enxergar melhor o mundo, conhecer outras culturas e se abrir para outras formas de viver e pensar. É uma oportunidade de se jogar na vida, superar os medos e ultrapassar limites. Para mim, fazer o intercâmbio foi uma transformação pessoal intensa. Foi como mergulhar no desconhecido e descobrir mais de mim mesma e do universo. Sinto como se tivesse amadurecido muitos anos em poucos meses.

O que muitos jovens não sabem, é que uma viagem como essa requer muito planejamento. E é super importante seguir um plano, para que não ocorram atropelos ou situações indesejáveis. Para facilitar a vida dos futuros intercambistas, listei os principais itens desse planejamento.

Skyline de Toronto, Canadá

Skyline de Toronto, Canadá

 

Qual é o momento certo de fazer o intercâmbio?
Tenho amigos que foram durante o colégio e acharam uma experiência maravilhosa, outros acharam terrível. Eu optei por fazer o meu intercâmbio depois de concluir a faculdade, o que foi muito bom por eu já ter uma maturidade para saber lidar com determinadas circunstâncias. Por outro lado, eu adoraria ter ido durante o ensino médio e ter feito um High School, por exemplo. O importante é ter coragem para enfrentar o desafio e, claro, pais/responsáveis com disposição a pagar os custos, que não são baratos.

 

Carol com a folha de maple, símbolo da bandeira e típica de árvore canadense

Carol com a folha de maple, símbolo da bandeira e típica de árvore canadense

Qual país escolher?
Fatores determinantes podem ajudar na escolha, como o idioma que quer aprender, afinidade com determinada cultura, proximidade geográfica, condições climáticas, facilidade de obtenção de visto, custos, moeda etc. Sempre recomendo que seja feita uma pesquisa para identificar quais aspectos combinam ou não com a proposta de viagem. Eu não escolhi ir para o Canadá, mas foi um belo presente da minha mãe. Me encantei por um país bastante acolhedor, extremamente desenvolvido e um verdadeiro misto de culturas.

Dica: alguns lugares mudam muito dependendo do período da viagem, então é bom ficar atento às estações do ano que vai pegar durante a viagem.

 

Como escolher uma boa escola?
Existem escolas muito boas, que oferecem ótimas experiências aos estudantes. Mais uma vez, a pesquisa é fundamental nesse ponto. Tendo escolhido o país, fica mais fácil de escolher a escola. Muitas delas, inclusive, promovem passeios turísticos com os alunos, algo que enriquece ainda mais a vivência. No Canadá, recomendo a escola Kaplan (Toronto e Vancouver).

 

Último dia de aula com colegas do Canadá, México, França, Vietnã, Coreia e Japão

Último dia de aula com colegas do Canadá, México, França, Vietnã, Coreia e Japão

Como escolher a família certa?
A escolha da hostfamily é um tiro no escuro, uma questão de sorte. Eu tive o prazer de ‘cair’ em uma casa de uma família canadense muito simpática. Os quartos ficavam no primeiro andar, onde havia sala, cozinha e banheiros privativos para os estudantes e total liberdade para sair. A única exigência era comunica-los caso não fosse para o jantar.

Por outro lado, é possível ser enviado para uma família pouco acolhedora, que usa o aquecedor nas alturas (e a casa se torna um verdadeiro inferno!), coloca cadeados na geladeira e só se alimenta de cheese burguer (Sim, isso existe!). Você pode tentar conversar, falar que não curte cheese burguer ou um calor infernal… E se a hosfamily for realmente muito ruim, você conversa com a coordenação da escola ou da agência (no meu caso, isso era resolvido na escola), explica as razões e pede para mudar de hostfamily. Vai que na segunda tentativa você tem mais sorte?

Dica: é sempre de bom trocar e-mails com a família antes da viagem para conhecer um pouco as pessoas com quem vai conviver por esse período. Também é gentil levar presentinhos da sua cidade natal para os seus hostparents.

Vista de uma das ruas de Montreal no inverno

Vista de uma das ruas de Montreal no inverno

 

Quanto tempo de curso?
Esse pergunta é respondida com outra: quanto você tem para gastar? É claro que um curso de um mês será bem mais barato do que o de seis meses, mas é importante lembrar que um mês é um período muito curto para aprender bem o idioma. Não adianta se iludir, porque ninguém vai sair falando fluentemente depois de quatro ou cinco semanas.

Outra coisa: um dos maiores custos do intercâmbio é a passagem de avião, que vai ter valores semelhantes se a volta for dentro de um mês ou em seis meses. Eu embarquei com um mês de curso e só voltei depois de 7 meses e de remarcar três vezes a passagem de volta. Dá para ver o quanto eu aproveitei esse intercâmbio, né? :)

Dica: geralmente as escolas e empresas de intercâmbio oferecem muitas opções de cursos e facilidades de pagamento. Pesquise e encontre o curso ideal para você.

 

Colegas de curso de várias nacionalidades

No intercâmbio conheci pessoas de várias nacionalidades

Preciso de um seguro saúde?
Sim! O seguro saúde é indispensável para qualquer pessoa que sai do Brasil, ainda mais se a viagem vai durar um período mais longo. No Canadá, o seguro saúde é obrigatório para estudantes. Fiz o meu seguro com a mesma agência onde comprei o pacote do curso. É importante ler a apólice do seguro para ficar ciente sobre toda a cobertura. Outra dica é levar medicamentos mais usados por você na bagagem. Aspirina é um medicamento fácil de ser comprado, mas muitos outros só mediante receita médica.

 

Como se adaptar?
O ser humano se adapta a quaisquer condições. Somos os seres mais adaptáveis e resilientes da face da terra. Abra seu coração para essa experiência e aproveite as novidades, que não serão poucas.

Deitei sobre a neve e fiz o clássico desenho de anjo

Deitei sobre a neve e fiz o clássico desenho de anjo

Faça amizades com pessoas de países inimagináveis, experimente as comidas de diferentes condimentos e nacionalidades. Conheça cada lugar e vivencie o país escolhido.

"Festa no barco" com amigos de Porto Rico, Uruguai, México e Brasil

“Festa no barco” com amigos de Porto Rico, Uruguai, México e Brasil

Caminhe pela vizinhança, saia sem destino (com um mapa, caso ainda não conheça a cidade direito!), visite parques, museus e pontos turísticos.

Vista do lado canadense das Cataratas do Niagara

Vista do lado canadense das Cataratas do Niagara

Sentir saudades de casa é normal, mas se o coração apertar, telefone, conecte na internet, envie um cartão postal. Vale tudo para matar a saudade.

Carol e a frase "I miss you" escrita na neve

Sentir saudades é normal!

Só não esqueça de transformar a cidade escolhida na sua nova casa. Afinal, aquele lugar vai ser o seu novo lar durante algum tempo. Enjoy it!


Carol Pacobahyba

 
Carol é jornalista. Natural de Fortaleza, reside no Recife. Já morou em cidades paraibanas, em Brasília, em Montreal e em Toronto, no Canadá. Além de conhecer diversos lugares do Brasil, já visitou países como Peru, Bolívia e Estados Unidos. Ou seja, tornou-se cidadã do mundo antes mesmo de conquistar a maioridade. Estreou seu primeiro programa de rádio aos 15 anos e quando surgiu o projeto do Terra Estrangeira não hesitou em unir duas paixões: comunicação e turismo. Carol não dispensa uma oportunidade de viagem e espera dar uma volta ao mundo trazendo consigo um pedacinho de cada lugar em fotografias e ímãs de geladeira. Por ter o coração cigano, também não exclui a possibilidade de voltar a morar em terras estrangeiras. É ultra-mega-power conectada e, claro, está sempre presente nas redes sociais, inclusive nos perfis do Terra Estrangeira. Como cearense nata, traz o bom humor na ponta da língua, mas não herdou a cabeça-chata graças à genética materna carioca.